No Bote Fé, Dom Adelar Baruffi fala sobre a alegria de buscar a santidade



No Bote Fé, Dom Adelar Baruffi fala sobre a alegria de buscar a santidade
11 Novembro
2015
Escrito por: Daiane Madruga
Publicado em: Regional

Ao se dirigir aos jovens durante a homilia da Celebração Eucarística no Bote Fé, em Porto Alegre, Dom Adelar Baruffi relembrou as palavras do Papa durante a Jornada Mundial da Juventude, falou sobre o encontro com o Cristo vivo e sobre a alegria de buscar a santidade.

Nosso referencial para a evangelização da juventude concluiu sua mensagem falando sobre as bem-aventuranças no contexto dos jovens. “O evangelho que ouvimos, das bem-aventuranças segundo São Mateus, toca um ponto central da vida e, sobretudo, dos jovens: a felicidade. Deus tem um sonho belo e positivo para todo ser humano e a sua criação inteira. Como ser feliz? Qual o caminho? Como descreveríamos um ‘jovem feliz’?” ele disse.

Leia a mensagem de Dom Adelar, na íntegra:

 

Homilia da Celebração Eucarística do 2º Bote Fé Regional

Porto Alegre, 01 de novembro de 2015

“Saúdo, com alegria, Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre e Presidente do Regional, os demais irmãos arcebispos e bispos, os presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, vocacionados à vida consagrada e sacerdotal. Saúdo a equipe organizadora deste evento, na pessoa da Ir. Zenilde Fontes, coordenadora do Serviço de Evangelização da Juventude do Rio Grande do Sul. Saúdo todos os envolvidos na evangelização da juventude, nas 18 dioceses de nosso Estado. Saúdo as autoridades aqui presentes. Minha saudação calorosa a todos vocês, queridos jovens!

Estamos felizes e temos muitos motivos para estar! A Solenidade de Todos os Santos expressa que nós somos uma grande família. A comunhão que formamos vai muito além de nossa amizade, presente de maneira tão bela em nossos diversos grupos de jovens, pois ela se fundamenta na união que formamos, pela nossa fé em Cristo, com toda a Igreja: nós que caminhamos neste mundo e com todos os que já partiram para junto de Deus. Recorda nossa identidade, que “somos filhos de Deus”, e, também, aponta para o horizonte de nosso caminhar, sermos santos, pois “nem sequer se manifestou o que seremos” (1Jo 3,2). Os jovens sonham com grandes ideais. Como a jovem Santa Terezinha do Menino Jesus, dizemos a Deus “Não quero ser uma santa pela metade.” (Manuscrito A, 10v). Sim, queremos ser santos! Esta é a nossa vocação batismal. Jovens santos, que arriscam sua vida “em Deus”, discípulos de Jesus Cristo, inseridos no mundo, compassivos e solidários.

 

Memória e encontro com Cristo vivo

Em nossos ouvidos ainda ressoam as palavras do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude de 2013: Bote Fé, Bote Esperança, Bote Amor: “ponha Cristo, e sua vida será repleta de seu amor, será fecunda.” E o envio missionário: “Ide, sem medo, para servir.” Nestas palavras resumem-se toda a alegria, o entusiasmo e o empenho apostólico vividos nestes anos.Estas palavras estão se concretizando num processo de evangelização que envolve todos os carismas ligados à juventude. Por isso, temos uma bela caminhada a ser celebrada e fortalecida nas comunidades, paróquias e dioceses do nosso Estado.Quisemos nos encontrar, hoje, para partilhar esta riqueza vivida, para celebrar, para render graças a Deus, para aprendermos juntos e nos deixarmos contagiar pelas experiências de cada jovem e seu grupo.

Mas, sobretudo, como fizeram os discípulos de Jesus, no monte, nós também nos aproximamos dele (cf. Mt 5,1) para o escutar. Queremos escutá-lo porque Ele é o Mestre. Qual novo Moisés nos ensina a lei da Nova Aliança, o caminho que devemos seguir. Escutá-lo com atenção é a condição para sermos seus discípulos. Continuamos a nos encontrar com Ele, mesmo depois de ter concluído a iniciação cristã, com o sacramento da confirmação, pois “a quem iremos Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6,68).O escutamos porque sabemos que Ele está vivo e caminha conosco sempre, também quando batem à nossa porta a tristeza e a dúvida. Renovamos nosso desejo sincero de seguir seus passos, aprendendo dele um jeito de viver e sermos cristãos em nossas comunidades. Aprendemos dele um projeto de Igreja e de sociedade, na construção da civilização do amor.

 

Felizes e santos...

            O evangelho que ouvimos, das bem-aventuranças segundo São Mateus, toca um ponto central da vida e, sobretudo, dos jovens: a felicidade. Deus tem um sonho belo e positivo para todo ser humano e a sua criação inteira. Como ser feliz? Qual o caminho? Como descreveríamos um “jovem feliz”?

            Felizes os jovens “que têm espírito de pobre”, que vivem uma “sobriedade feliz” (LS 226). Conseguem se libertar da escravidão do “consumismo desenfreado” (LS 226). Sonham com nossa Igreja pobre e misericordiosa e vão ao encontro dos pobres.

            Felizes os jovens que nas aflições da vida (desemprego, violência, drogas, depressão, dificuldades familiares...) não perdem a paz, a serenidade e a alegria. Os jovens são portadores da alegria e da esperança. Não se deixam abater pelas dificuldades, porque têm a certeza do “consolo” e da esperança do Ressuscitado.

            Felizes os jovens que são “mansos” e que “promovem a paz”. Somos da paz. A caminhada que fizemos hoje é um símbolo do caminho, longo, difícil e “artesanal” na construção da paz. Ela é uma opção de vida e uma construção social. Ela parte dos corações mansos, reconciliados em Cristo, que não deixam espaço para a agressividade e a violência e alarga-se até atingir as estruturas sociais que possibilitem uma convivência pacífica. Sejamos um sinal profético, de um mundo de paz.

            Felizes os jovens “que têm sede e fome de justiça”, que não se acomodam e resignam, mas querem “mudar o mundo”. O gesto concreto que fizemos, trazendo alimentos para os migrantes e necessitados expressa que desejamos um mundo no qual“quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. (Am 5,24).

            Felizes os jovens que são “misericordiosos”. Deixam-se comover pelo sofrimento dos outros. Movem-se pela compaixão. A misericórdia é o rosto e o coração de Deus, manifestado na vida de Jesus Cristo. Acolhamos o Ano da Misericórdia, em primeiro lugar, como um dom para cada um de nós e sejamos “misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36).

            Felizes os jovens que não desanimam quando, nos círculos de amizade, nas escolas e universidades, não são bem compreendidos por serem cristãos, por professarem a fé em Jesus Cristo. Mantém a serenidade e a paz quando são perseguidos por se posicionarem a favor da vida, dos pobres, da justiça e do cuidado pela “casa comum”. Este não é um sofrimento inútil! “Alegrai-vos e exultai”, disse Jesus, “pois tereis uma grande recompensa” (v.12).

            Felizes os jovens que procuram ter “um coração puro”. Cultivam a liberdade interior e a castidade. Não se deixam macular pelo ódio, falsidades e corrupção. Educam-se para o amor que respeita, acolhe e se doa.

            Ao nos aproximarmos de Jesus, nas bem-aventuranças Ele nos ensina o caminho da felicidade e da santidade. É o caminho que Ele trilhou. A felicidade que Ele viveu. Nós queremos ser felizes e santos como Ele foi. “Caminha-se para a felicidade com o coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão.” (Pagola, 2013, p.69).

            A celebração do tricentenário de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que em nossas dioceses foi confiada especialmente aos jovens, será ocasião especial de fortalecimento da evangelização da juventude em nossas comunidades. Pedimos a tua intercessão, ó Virgem Mãe Aparecida, Mãe da Misericórdia, para sermos fiéis discípulos do teu Filho Jesus. Amém.

 

Dom Adelar Baruffi

Bispo Referencial da CNBB Sul 3 para a evangelização da juventude”

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